ROTEIRO HOMILÉTICO: DOMINGO NA OITAVA DO NATAL – ANO C

ROTEIRO HOMILÉTICO: DOMINGO NA OITAVA DO NATAL – ANO C

“Sagrada Família de Nazaré, protótipo para todas as famílias” Evangelho: Lc,2,41-52.

Por Ir. Rita Paixão, NJ*

A liturgia na oitava do Natal, vem aprofundar o mistério celebrado na noite do nascimento de Jesus: Deus que desceu e se fez humano, na pessoa de uma criancinha frágil. Hoje, celebramos a Sagrada Família de Nazaré, lugar encontrado por Deus Pai para se tornar humano. A vida desta família foi consagrada pela a visita do Filho de Deus, Verbo encarnado no seio de uma mulher, (Maria) sua mãe. Este foi o primeiro ambiente humano a receber o Filho de Deus como sua maior dádiva divina. A partir desta acolhida todas as demais famílias foram também agraciadas com a visita do salvador da humanidade, o Emanuel, ou seja, o Deus Conosco, que fez morada entre os seus. O Evangelho deste domingo apresenta como tema central, um ensinamento sobre quem é Jesus, a sua relação com o Pai e à sua família humana.

O relato do desaparecimento do menino Jesus em Jerusalém está inserido no contexto do evangelho da infância, que alterna o mistério da encarnação com a novidade do evangelho. Lucas enfatiza a identidade da família humana de Jesus como judeus piedosos. Junto aos demais, sobem a Jerusalém para a festa de Páscoa, para seguir um regulamento que existia sobre as peregrinações junto ao Templo de Jerusalém: Ex 23,17;34,23; Lv 23,4-14. Como conseqüência, compreendemos que o ambiente em que Jesus cresceu e em que descobriu sua vocação e missão é aqueles dos “Pobres de Jahweh”; os que esperavam a libertação de Israel, através da chegada do messias davídico, prometido pelos os profetas. Esta viagem do menino a Jerusalém prefigura a grande viagem de Jesus a Jerusalém em Lc 9,51―19,27, que fará com os seus discípulos, onde ele revelará por palavras e ações o seu relacionamento com o Pai, prefigurado no v, 49. O texto vem também salientar algumas Atitudes de Jesus, fiquemos atentos aos verbos. Lucas diz que Jesus estava no Templo entre os doutores: “Escutando e fazendo perguntas”. Sua atitude é de um aluno muito inteligente, e não de um mestre. A centralidade de todo o texto está no v 49: “Porque me procuras? Não sabiam que eu devo estar na casa de meu Pai?”. Seu Pai aqui é outro pai, sua família é outra, a casa paterna é o Templo onde se encontra com os mestres. A experiência filial de Jesus vai além da experiência humana, se ampliam rumo a Deus. A própria procura de seus pais, a Jesus, é apresentada “três dias depois”, expressão que remete a páscoa de Jesus. O presente relato, não deixa de salientar a necessária submissão de Jesus aos pais, cumprindo assim, fielmente, sua missão inicial: assumir a nossa humanidade.

1ª leitura: Eclo 3,3-7.14-17a (gr 3,2-6.12-14)

O texto de Jesus Bem-Sirac vem apresentar uma série de indicações práticas que os filhos devem ter em conta na relação com os pais. Explica aos filhos já crescidos os dois aspectos da citação de Ex 20,12: O mandamento de honrar o pai e a mãe e a promessa para o prolongamento dos dias na terra que o Senhor dá. Como tema inicial; o autor acentua que o honrar e respeitar os pais, socorrê-los e compadecer-se dele na velhice, ter dedicação para com eles é cumprimento da Lei e da vontade de Deus; é ainda obediência ao Senhor. O tema seguinte salienta a observância do mandamento ou Lei de Deus não só dá longa vida, mas é também remição dos pecados, certeza de ser atendido na oração, de ter alegria nos próprio filhos e principalmente de não ser esquecido por Deus. Em vista de tudo isso, o autor vem ensinar que; é feliz, o filho que sabiamente ampara os pais no momento de suas necessidades, principalmente na velhice.

2ª leitura: Cl 3,12-21. Salmo: 127 “Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos!”

Paulo na Carta aos Colossenses vem ressaltar, a partir do momento em que os cristãos ressuscitaram com Cristo e são amados por Deus, devem ser imitadores de Cristo e cumpridores da sua palavra. Apoiados nesta realidade, eles tem o dever de se tornarem outro Cristo, na vivência entre os irmãos na fé, sendo suporte ou apoio de uns para com os outros, perdoando-vos mutuamente, principalmente no ambiente familiar; respeitando-se, amando-se e sendo propagadores da paz reciprocamente. Eis a tarefa de todo cristão!.

Pistas para reflexão:

A liturgia deste domingo, nos convida a demonstrar gratidão aos nossos pais, pois eles aceitaram ser em nosso favor, instrumentos de Deus Criador. As leituras vêm refletindo como anda a situação da moderna civilização: criam com freqüência, situações de abandono e de marginalização, cujas vítimas são aqueles a quem a idade ou a doença trouxeram limitações. Que motivos justificam o desprezo e abandono daqueles a quem devemos “honrar”?. Para viver “em Cristo” ou como “homem novo”, como afirma Paulo, precisamos fazer do amor a nossa referência fundamental e deixar que ele se manifeste em gestos concretos de bondade, perdão, compreensão, respeito, partilha e serviço, principalmente com aqueles que moram conosco (nossos pais). Como fez Jesus na Sagrada Família de Nazaré. (Jesus, Maria, José).

*Graduada em Filosofia e Teologia pela FCF. CE.

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